domingo, 19 de janeiro de 2020

[Conto Poe] O Barril De Amontillado

por em janeiro 19, 2020
Olá, Perdidos! Há 211 anos nascia o escritor e poeta americano Edgar Allan Poe, criador de histórias soturnas. Poe se destacou como contista, poeta e crítico literário dos mais exigentes. Além de ter criado os contos breves, ele também instituiu na literatura o detetive da atual ficção policial que observa e analisa minuciosamente desde a vítima, os suspeitos até o local do crime com seu detetive francês mousieur C. Auguste Dupin. Poe é o cara! 




Em homenagem ao seu aniversário, decidi explorar um pouquinho um de seus contos: O Barril De Amontillado, de 1846. Vou tentar não dar spoilers. Vamos lá? 


Logo de cara, Montresor, o narrador da história, declara que quer vingança contra Fortunato por suas incontáveis injúrias. Ao tomar sua decisão, aguarda o momento ideal. Momento este que acontece quando, num passeio durante o Carnaval italiano, ele encontra Fortunato vestido de Arlequim, usando um chapéu de guizos e bêbado. 

Montresor lança a isca e lhe diz que tem um barril de vinho Amontillado, mas que está desconfiado que seja falso. Para apimentar mais sua curiosidade, Montresor diz que vai chamar Luchesi, um especialista em vinhos rival de Fortunato que imediatamente decide ajudar o amigo. 

Então o narrador leva seu desafeto até as catacumbas de sua casa para que ele dê seu parecer sobre o vinho. E pôr em ação seu plano de vingança. 


Ao começarmos a leitura conhecemos o caráter determinado do narrador e protagonista em querer a mais pura e simples vingança. “Suportei o melhor que pude as incontáveis injúrias de Fortunato, mas quando ele se pôs a me insultar, jurei vingança”. 

O ponto de vista da narrativa é totalmente parcial, justamente por ser realizada pelo narrador/personagem. Não conhecemos nada sobre Fortunato, nem as ofensas que ele proferiu ao seu amigo. Tudo que sabemos, sabemos pelos olhos de Montresor. Em um determinado momento fica claro a mágoa de Montresor por não fazer parte da maçonaria como seu “amigo” e o que isso implica em termos de gozação e menosprezo. Mas... Podemos apenas supor. 

A vingança é o tema principal da história, mas a confiança também é. Uma confiança dissimulada por parte de Montresor e que Fortunato acredita ser verdadeira. Afinal, por mais desavenças que os dois tivessem jamais pensou que fosse ser alvo de uma terrível, premeditada e obscena vingança alimentada por tanto tempo. 

Não havia criado algum em casa; [...] dera ordens expressas para não saírem de casa. As ordens foram suficientes, como eu bem sabia, para garantir que todos desaparecessem de imediato, assim que eu virasse as costas. 

À princípio achamos que o encontro deles durante os festejos de Carnaval foi meramente casual e que Montresor aproveitou a ocasião para se vingar. Contudo, mais adiante na história compreendemos que antes deste “encontro casual”, ele fez todos os preparativos para executar sua vingança sem testemunhas. Montresor tinha saído à caça de seu ex-amigo. 




Montresor arma a arapuca e usa todas as suas estratégias de sedução e provocação para levar Fortunato a não só querer ajudar, mas considerar isso como um dever para com o amigo que a todo instante demonstra preocupação com sua saúde debilitada e lhe diz ser um “homem rico, respeitado, admirado, amado” e que “fará falta” se algo lhe acontecer. 

– Meu amigo, de modo algum. Não posso me aproveitar de sua generosidade. Vejo que tem um compromisso. Luchesi... 
– Não tenho compromisso algum, vamos. 

Sua vingança é fria e foi planejada com esmero, antecedência e cuidado. Ele se aproveita da fraqueza de Fortunato em ser um connoisseur de vinhos e em sua rixa com outro expert, chamado Luchesi. E usa o barril de Amontillado, um tipo de vinho da região de Montilla, na Andaluzia, Espanha, como um engodo sedutor para levar o “amigo” para as profundas e gélidas catacumbas de seu lar. Sem sentir remorso ou medo, apenas sendo perverso no ato que planeja cometer. 

Ao longo do caminho pelas catacumbas rumo ao suposto barril de Amontillado, Montresor dá algumas dicas do que irá acontecer. Por exemplo, ele explica o lema que está no brasão de sua família que diz em latim “Nemo me impune lacessit”, ou seja, “Ninguém me insulta impunemente”, demonstrando que a honra da família e suas tradições estão em jogo. Pobre Fortunato desafortunado!  

Neste conto, Poe trabalha com jogos de inversões, como imagens em espelhos. No início temos Fortunato, cujo significado é afortunado, fantasiado, alegre, brincando o Carnaval nas ruas, a céu aberto. Enquanto no final temos a inversão irônica de seu nome (desafortunado), apavorado nas sombrias catacumbas. 

Trata-se de um conto curto (na minha versão são 8 páginas apenas) que, desde essas primeiras palavras, cria tensão que se mantém durante toda a história que se desenvolve de modo muito rápido. A dinâmica é tão intensa que a cada surpresa queremos mais até chegar ao clímax. Sentimos a opressão das catacumbas da casa de Montresor e sua umidade e salitre são percebidos até mesmo através da imaginação, tão imersivos que ficamos no texto de Poe. Ficamos surpresos, horrorizados e perplexos quando chegamos ao final do conto. 

Não quero entrar em detalhes para que você possa apreciar na íntegra a genialidade deste conto que apesar de curto é perfeito. Não há terror sobrenatural, há apenas o velho e bom ser humano sendo... ser humano! Com seus atos sórdidos. Um conto curto, simples e cruel. 


FICHA TÉCNICA 

Título: Edgar Allan Poe Medo Clássico 1   
Título Original: Edgar Allan Poe Medo Clássico 1   
Autor: Edgar Allan Poe   
Ano: 2017 
Páginas: 384  
Editora: Darkside 
Gênero: Contos / Terror e Suspense  
Tradutor: Maria Heloísa  


AUTOR 

Edgar Poe, que mais tarde passaria a usar o nome Edgar Allan Poe, nasceu em 19 de janeiro de 1809, em Boston, Massachusetts. Poe era filho de um casal de atores que, após a morte de sua mãe, foi entregue ao rico comerciante John Allan e sua esposa Francis. Mesmo acolhendo o menino e lhe dando seu sobrenome Allan, ele nunca o adotou legalmente. 

Adolescente, estudou na Inglaterra por cinco anos e ao voltar para os Estados Unidos entrou para a Universidade de Virginia, e por ser um boêmio foi expulso após um ano. Também se matriculou na Academia Militar de West Point, mas foi expulso, o que fez que seu pai adotivo o desprezasse até o final de sua vida. 

Em 1835, Poe e Virgínia Clemm, sua prima em primeiro grau de treze anos, se casaram e, em 1847, com 24 anos, Vírginia morreu de tuberculose. Tanto a doença quanto a morte de sua esposa, tiveram grande efeito sobre o escritor que se voltou ainda mais para o álcool, declinando em solidão e tristeza

Poe escreveu poesias, contos de terror, sátiras, contos de humor, reinventou a ficção científica e criou o primeiro detetive de contos policiais modernos. Ele foi e ainda é o maior representante do romantismo americano e suas obras mais conhecidas eram de estilo gótico. Em 1845, publicou sua obra-prima, o poema O CorvoThe Raven em inglês. 

No ano 1849, dois anos após a morte de sua esposa, aos 40 anos de idade, seria a vez de Poe partir para o outro lado. Uma morte que permanece inexplicável até os dias de hoje. 

Quer saber um pouco mais leia Um Brinde À Edgar Allan Poe 




Até a próxima! 
Beijos mil! :-) 

Criss 

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Dia Do Leitor!

por em janeiro 07, 2020
Olá, Perdidos! Ninguém nasce leitor. Isso é um fato. A paixão pelos livros tem que ser incentivada, desenvolvida e cultivada. E o ideal é que esse amor tenha início na mais tenra idade. Sabe? Com aqueles livrinhos para bebê que ele apalpa, brinca e coloca na boca para mordiscar. É aí que tudo começa, ou deveria começar. Infelizmente, no Brasil, a familiaridade com os livros e sua acessibilidade ainda deixam a desejar. Enfim... 




Com pais e professores orientando e, principalmente, incentivando o hábito de leitura, o pequeno leitor vai surgindo. E aos poucos, escancara a porta de entrada das histórias de fadas, ogros, cavaleiros e princesas, em mundos de fantasia; dos quadrinhos e HQ’s; dos livros escolares (que a maioria odeia – Hahahaha!); dos livros que se transformam em filmes e possuem uma horda de fãs; dos livros de sagas, duologias e trilogias. 

Quem lê muito fala melhor, pensa melhor, escreve melhor e se torna mais bem-sucedido. 
(Miriam Leitão, jornalista, escritora e apaixonada por livros desde criança)   

A leitura tem que estar associada ao prazer e não a obrigação, por isso que livros do currículo escolar são tão detestados. O poder de escolha do que ler amplia o perfil do leitor. E as experiências positivas incrementam o gosto pela leitura

Umas Dicas: 

1- Não insista 
Começou a ler um livro e não gostou da história, mude de livro; talvez não seja o momento para esse livro, deixe-o guardado e tente ler em outra ocasião. 

2- Histórias curtas 
Comece por livros com poucas páginas ou contos. Não é preciso encarar um calhamaço logo de cara! 

3- Amor de autor 
Se gostou de um livro procure por mais do mesmo autor. 

4- Rapidez não é tudo 
Leia no seu ritmo. É melhor apreciar a história do que entrar em maratonas literárias para tentar ler uns 20 livros em 5 dias. 

5- Um por vez 
Leia um livro por vez. Nem todo mundo consegue ou gosta de ler vários livros ao mesmo tempo. 

6- Dicas amigáveis 
Aceite indicações de seus amigos (físicos ou virtuais) e descubra qual o seu estilo. 

7- Faça fluir 
Defina um momento para sua leitura. 

8- Rotina, sim 
Crie o hábito de ler um pouco a cada dia. Terá uma surpresa no final do mês.  

9- Marcando tudo 
Não deixe de marcar as passagens que mais gostou da história. Utilize post-its e faça suas anotações. Se você for mais corajoso, marque com lápis, caneta ou marcadores de texto diretamente no livro. O livro é seu e a experiência é toda sua. 






Um leitor vive mil vidas antes de morrer. 
(George R. R. Martin)   

Como Surgiu A Data? 

O Dia do Leitor foi uma homenagem à fundação do jornal O Povo

Tudo começou em Fortaleza, no Ceará. No dia 7 de janeiro de 1928, o jornal O Povo começou a circular na capital cearense. Seu fundador foi o baiano Demócrito Rocha que foi dentista, deputado federal, funcionário dos Correios e Telégrafos, intelectual, jornalista e poeta. Ele foi membro da Associação Cearense de Imprensa e em 1930 ingressou na Academia Cearense de Letras. 

O jornal ficou conhecido por suas reportagens rechaçando a corrupção (já naquela época!) e divulgando realizações políticas. E em seu segundo ano de funcionamento, criou um Suplemento Literário, o Maracajá, que publicava textos de escritores e intelectuais. O Maracajá foi um dos principais divulgadores do Modernismo Literário Cearense e Nordestino da época. 

A leitura engrandece a alma. 
(Voltaire)   

Em 1943, Demócrito Rocha faleceu aos 55 anos, devido a tuberculose e deixou obras de importância para a cultura da região. 







Jovem ou nem tanto. Não importa a idade em que nos embrenhamos em guerras interplanetárias ou ajudamos a destruir um anel ou viajamos no tempo ou desvendamos um assassinato ou combatemos um palhaço ou enfrentamos o bicho-papão ou cedemos ao mestre vampiro ou... ou... Seja pela primeira vez ou pela milionésima vez. Através de livros de bolso, brochuras, capas duras ou ebooks. Nada disso importa. O que realmente conta é começar a ler e não parar mais de trilhar os caminhos formados pelas letras. 



FELIZ DIA DO LEITOR! 

Doe livros, presenteie livros ou, apenas, indique livros. 
Incentive a leitura! 



Até a próxima! 

Beijos mil! :-) 
Criss 


sábado, 4 de janeiro de 2020

Não Ao Desafio Para 2020!

por em janeiro 04, 2020
Olá, Perdidos! Esse post vem reafirmar o que eu disse o outro dia para uma amiga do Instagram: sou um espírito livre. Hahahahaha! É difícil eu obedecer a um esquema de leitura feito no início do ano. Aí você me pergunta por quê. Bem... tudo depende do momento, do humor, da vida, e muitas vezes não rola ler um determinado livro escolhido lá no início do ano. Deu pra entender? Pois é. 




Mas, decidi fazer uma retrospectiva dos meus Desafios de 2019. Vamos lá? 

O ano de 2019 foi um ano de muitas leituras. Pelo menos para mim. Este ano eu conheci o Fantástico Mundo das Leituras Coletivas o que me ajudou bastante a ler muitos livros e desistir de vários do meu desafio e daqueles que estavam na minha lista. Também comprei um Kindle e, imagine só, amei! Achei que não iria gostar tanto, mas quando você está lendo um calhamaço não há nada melhor. Sem falar que eu leio mais rápido. Sei lá! Sei que estou feliz! 

Dos 12 livros da lista do desafio, só li 5. Que tristeza! Para saber mais clique aqui no Desafios Literários Para 2019. Todos os lidos têm resenha no blog, os links estão no próprio post. Dos itens extras, não cumpri um deles: um livro que tivesse como cenário uma cidade que eu quisesse conhecer. De novo! E o item livro traduzido por uma mulher li vários, menos o escolhido. Pode? Hahahahaha!  Li Sombras da Noite, de Stephen King; Como Agarrar Uma Herdeira, de Julia Quinn; Feita De Fumaça E Osso, de Laini Taylor; Psicose, de Robert Bloch; entre outros. Todos esses (se quiser ler, estão com link) e mais alguns com resenhas no blog. 




E quanto ao meu Projeto Harry In A Box, com os livros da saga do bruxinho Harry Potter, eu entrei em uma LC. Acho que agora vai. 

Enfim, entrei e vou entrar em algumas LC’s e ler alguns livros que tenho em mente, ou talvez não. Talvez sejam outros. Vai saber. Hahahahaha! 





Boa Sorte & Excelentes Leituras para todos! 


Até a próxima! 

Beijos mil! :-) 

Criss 




sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

“Um Conto De Natal” Para Ser Lido Em Qualquer Época Do Ano

por em dezembro 27, 2019
Olá, Perdidos! Um Conto De Natal, de Charles Dickens, é sem dúvida a história mais conhecida e mais contada nas festas natalinas, desde sua publicação no Natal de 1843. Seja em forma de filme, peça de teatro, HQ ou animação todos conhecem a figura nada simpática do velho sovina Scrooge que só pensa em dinheiro, despreza todos que não o possuem e tudo que não dê lucro e abomina o Natal. Uma história cujos ensinamentos permanecem bastante atuais. 




Época de Natal e a cidade de Londres se vê em meio ao frio e à neve. Todos se preparam para a grande celebração. Os homens não veem a hora de fecharem seus negócios e voltarem para casa, para os braços de seus filhos e esposas. Entre assados, presentes e alegria desmedida só uma pessoa não está nessa mesma vibe: Ebenezer Scrooge

Scrooge era um tremendo pão-duro! Um velho sovina, avarento, mesquinho, unha de fome e ganancioso! Duro e áspero como uma pedra de amolar, não era possível arrancar dele a menor faísca de generosidade. Era solitário e fechado como uma ostra. 

Scrooge é um homem de negócios muito rico que trabalha e vive para o dinheiro. É sovina, ranzinza, mal-humorado e, é claro, muito solitário. Seu único parente é seu sobrinho Fred que sempre tenta se aproximar dele, sem sucesso. Para ele os festejos de Natal são um desperdício de tempo e dinheiro e não consegue entender o motivo de tanta alegria, principalmente, por parte dos pobres, como seu empregado Bob Cratchit que, para sustentar sua grande família, resigna-se a trabalhar como um escravo para o velho. 

Ao chegar em casa, sem mais nem menos, o velho Scrooge recebe a visita do seu ex-sócio, o falecido Marley, agora um fantasma que sofre as consequências de ter vivido única e exclusivamente em prol do dinheiro. E como forma de arrependimento e tentando salvar a alma de seu amigo, ele avisa Scrooge de que receberá a visita de mais três fantasmas. 

Será que Scrooge conseguirá ser salvo e ter uma segunda chance? 

O Fantasma, em resposta, deu um grito tão assustador e sacudiu as correntes com um som tão apavorante, que Scrooge se agarrou com todas as forças à cadeira para não cair desmaiado. 



Nunca tinha lido nada de Charles Dickens e adorei. Sua escrita é tão bem trabalhada que parece que estamos ouvindo Dickens nos contando a história, assim, como quem conta um causo numa roda de amigos. É empolgante e brilhante em sua extrema simplicidade. 

Com uma linguagem fácil e muitas vezes engraçada, Dickens faz uma crítica que cai como uma luva nos dias atuais, uma crítica ao consumismo desenfreado, à solidão provocada pela dificuldade de se conectar às pessoas e à total falta de empatia que adoece cada vez mais o mundo.  

[...] homens e mulheres parecem abrir de boa vontade seus corações fechados e pensar nas pessoas mais pobres como seus legítimos companheiros na viagem para o túmulo, e não como uma raça estranha, viajando para um outro lugar. 

Não faltam alusões ao conto nos mais diversos tipos de mídia. Referências, releituras, adaptações são realizadas ano após ano, comovendo adultos e crianças. Um personagem famoso inspirado diretamente no avarento Scrooge é o nosso conhecido Tio Patinhas ou Scrooge McDuck, da Disney. 

Um Conto De Natal foi publicado em 19 de dezembro de 1843, com ilustrações originais de John Leech (nesta versão, as ilustrações são de Eduardo Oliveira); e mesmo após 176 anos de Dickens ter escrito o conto, é interessante observar o texto nas entrelinhas e conhecer o seu cenário, a metade do século XIX. A Inglaterra vitoriana estava reavaliando as tradições natalinas, como as canções, os corais e, introduzindo a novidade da época, a árvore de natal. Através da história inocente de Dickens temos conhecimento do comportamento dos ricos com relação aos pobres, da exploração das crianças, da existência de casas de trabalhos forçados e das prisões. Tudo muito comum naqueles tempos, onde “essas instituições têm muito pouco a dar para aliviar as necessidades da mente e do corpo dessa gente”. 




E foi seu livro, escrito às pressas para pagar dívidas, que ajudou a inspirar as reuniões de família, com comidas e bebidas especiais para os festejos natalinos, e todo um espírito de bondade e generosidade para com os demais e, principalmente, os menos favorecidos. Dá para imaginar? O livro tornou-se um sucesso e vendeu mais de seis mil cópias em apenas uma semana. Dickens não só conseguiu quitar suas dívidas, como criou uma das obras mais representativas da Literatura mundial

Dickens caracterizou cada personagem perfeitamente bem e soube mexer com maestria em nossas emoções. É impossível não odiar cegamente o mão-de-vaca Scrooge num momento e no outro não sentir pena dele por ser um ser humano tão mesquinho e sozinho. E, também a ansiedade misturada com alívio que o autor nos provoca no caminho de sua salvação. Além, é claro, de nos encantar e comover com os membros da família Cratchit, em especial o pequeno Tim. 

Graças a alguma lei justa e compensatória desta vida, se por um lado a doença e a tristeza são contagiosas, por outro, também não pode haver nada mais irresistivelmente contagioso do que o bom humor e uma gostosa gargalhada. 

Enfim, após receber a visita dos Fantasmas dos Natais Passado, Presente e Futuro, Scrooge parece uma fênix e renasce de suas próprias cinzas. Desperta como um homem benevolente e risonho, mais sociável e feliz com as mudanças alcançadas por tão estranhas visitas. Lições de humildade, caridade e, principalmente, amor ao próximo que precisavam de um baita estímulo para fazerem parte do seu dia a dia. 

Com a redenção do velho Ebenezer Scrooge, um homem avarento até com ele mesmo, aprendemos que um bom susto fantasmagórico é capaz de realizar milagres. Hahahaha! 

Leia e releia Um Conto De Natal em qualquer época do ano e não deixe de espalhar o verdadeiro espírito natalino todos os dias. 


FICHA TÉCNICA 

Título: Um Conto De Natal    
Título Original: A Christmas Carol   
Autor: Charles Dickens  
Ano: 2011 
Páginas: 144  
Editora: L&PM Pocket 
Gênero: Clássico de Natal  
Tradutores: Carmen Seganfredo e Ademilson Franchini  

AUTOR  

Charles John Huffam Dickens ou Charles Dickens, como é mundialmente conhecido, nasceu em 7 de fevereiro de 1812, em Landport (atual Portsmouth), na Inglaterra. 

Ele foi um popular romancista, além de criador de tipos e personagens inesquecíveis. Dickens foi um dos pioneiros na introdução da crítica social na literatura inglesa. Sempre com muito humor mostrou a exclusão social, os maus-tratos infantis, além da crueldade de uma Inglaterra em meio a revolução industrial e capitalista. 

Entre seus romances mais importantes estão: Oliver Twist (1837), David Copperfield (1849), Casa Soturna (1852) e Grandes Esperanças (1861). 

Um de seus maiores sucessos e o maior responsável pelo entusiasmo natalino durante as festas de fim de ano foi o livro Um Conto De Natal (1843 – A Christmas Carol). 

Enquanto ganhava reconhecimento como romancista, sua vida particular ia de mal a pior. Casou-se com Catherine Hogarth com quem teve 10 filhos e após 22 anos de casamento decidiu que queria o divórcio, um ato reprovável para a época. 

No dia 9 de junho de 1870, aos 58 anos, Charles Dickens morreu de morte cerebral em Higham (atual Gravesham), Inglaterra, e Ellen Ternan permaneceu com ele até o fim de seus dias. Foi sepultado no Poets' Corner, na Abadia de Westminster. Na sua sepultura está gravado: "Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos; e com a sua morte, um dos maiores escritores de Inglaterra desaparecia para o mundo”. 


Até a próxima! 
Beijos mil! :-) 

Criss 


quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

“Poirot Investiga” Casos Mirabolantes

por em dezembro 11, 2019
Olá, Perdidos! Quem não conhece o incrível detetive belga Hercule Poirot que levante sua caneca de chocolate quente. Protagonista de muitas das histórias da Dama do Crime, monsieur Poirot é extremamente metódico e utiliza a dedução para resolver os crimes. No livro de contos Poirot Investiga, de Agatha Christie, podemos ver o detetive em ação. 




Publicado pela primeira vez em 1924, este é o quarto livro de Agatha Christie. O livro traz 14 contos que têm como estrela principal de seu enredo o detetive belga criado por Agatha Christie: Hercule Poirot

– Nunca vi ninguém ter tão boa opinião a respeito de si mesmo! – exclamei, dividido entre o divertimento e a irritação. 
– O que estava querendo? Quando se é único, não se pode ignorar o fato. E há outros que partilham dessa opinião... 

O detetive baixinho, ostentando um espesso bigode, metódico e impecavelmente vestido e que adora se gabar de sua excepcional dedução nos casos, utilizando suas “pequenas células cinzentas”, como ele chama, tem como parceiro e narrador de suas histórias o amigo Hastings. Quase todos os contos começam com os dois em seu apartamento conversando amenidades quando surge um chamado para ele solucionar algum crime inexplicável. 


Os Contos 
(os meus preferidos estão marcados com 💗) 

1-  A Aventura Do Estrela Do Ocidente 
O detetive tem que evitar o roubo de um valiosíssimo diamante que pertence a uma atriz do cinema americano. 

2-  A Tragédia De Marsdon Manor 
Poirot é contratado por uma seguradora para investigar uma morte muito suspeita. 

3-  A Aventura Do Apartamento Barato 
O aluguel de um apartamento muito abaixo de seu valor de mercado faz com que Poirot e seu amigo se deparem com uma conspiração.  

O homem já ia fechar a porta, mas Poirot rapidamente enfiou o pé na abertura. E tornou-se, subitamente, a caricatura perfeita de um francês enfurecido. 

4-  O Mistério De Hunter’s Lodge 
Poirot está doente e Hastings tem a oportunidade de liderar a investigação do assassinato de um milionário. Porém, mesmo deitado em sua cama, é Poirot quem finalmente resolve o caso. 

5-  O Roubo De Um Milhão De Dólares Em Obrigações Do Tesouro 
Vários Títulos do Tesouro no valor de um milhão de dólares desaparecem misteriosamente e Poirot é requisitado. 

– Santo Deus, Poirot! Sabe que eu daria um bom dinheiro para vê-lo bancar o idiota rematado, por uma vez que fosse? Nunca vi ninguém tão abominavelmente presunçoso! 

6-  A Aventura Da Tumba Egípcia 💗
Poirot parte para o Cairo, no Egito, a fim de investigar uma sucessão de mortes que ocorrem, aparentemente, por causa de uma maldição que teve início após a abertura da tumba do faraó Men-her-Ra. Neste conto descobrimos que Poirot passa muito mal ao viajar de navio. 

Um dos meus preferidos, com Poirot no Egito, Arqueologia (um interesse da própria Agatha Christie e meu) e sofrendo com a viagem de navio... 

7-  O Roubo Das Joias No Grand Metropolitan 
Hastings e Poirot pretendem descansar no famoso hotel Grand Metropolitan, mas um roubo muda os planos dos amigos. O lazer ficará para depois. 

8-  O Primeiro-Ministro Sequestrado 💗 
Uma tentativa de assassinato e sequestro do Primeiro-Ministro britânico faz com que Poirot mostre seu modo totalmente peculiar para desvendar o crime. 

Gostei bastante desse conto. Foi um dos meus preferidos. 

Ah, foi um plano astucioso! Mas ele não contava com a inteligência e a astúcia de Hercule Poirot! 

9-  O Desaparecimento Do Sr. Davenheim 💗 
Neste conto o inspetor Japp aposta com o belga que não conseguirá solucionar o mistério que envolve o desaparecimento do Sr. Davenheim. Quem irá ganhar a aposta? 

Também gostei bastante dessa história.  

10- A Aventura Do Nobre Italiano 💗 
Um conde italiano é assassinado e Poirot investiga o caso que, aparentemente, não é tão simples assim. 

Um caso interessante. 

11- O Caso Do Testamento Desaparecido 💗 
Poirot ajuda uma jovem mulher a resolver a charada deixada por seu tio para que ela encontre o testamento escondido e receba sua herança. Este conto parece mais um tipo de caça ao tesouro. 

Um caso interessante e que mostra como Poirot é presunçoso com relação à sua massa cinzenta. Impecável! 

– Ah, que imbecil que tenho sido! Três vezes imbecil! Nunca mais vou me gabar de minhas pequenas células cinzentas! 
– Já é alguma coisa – murmurei irritado. 

12- A Dama De Véu 
Uma carta constrangedora está em poder de um chantagista e pode acabar com o noivado de Lady Millicent com o duque de Southshire. A missão de Poirot é reaver a carta. 

13- A Mina Perdida 
Os papéis de uma mina abandonada desapareceram e um chinês foi assassinado, cenário perfeito para o detetive belga mostrar toda sua maestria. 

14- A Caixa De Bombons 💗 
Hastings relata o único fracasso do grande detetive Poirot que aconteceu quando ele ainda era um mero policial. 

Neste caso curioso percebemos que, assim como todo mundo, monsieur Hercule Poirot é passível de erros. 

É preciso aceitar as derrotas assim como as vitórias, meu amigo. 



Os casos são os mais variados possíveis nesta coletânea de contos do prepotente, mas magnífico, detetive Poirot. Temos roubo, assassinato, sequestro, desaparecimento, conspiração, caça ao tesouro e até uma maldição da múmia! Pode isso? Hahahaha! 

A narrativa é realizada pelo Capitão Arthur Hastings, seu fiel e ingênuo amigo. Assim como nos casos de Sherlock Holmes onde temos a perspectiva de “meu caro” Watson, aqui temos o olhar crítico de Hastings. Além do devotado amigo, o inspetor da Scotland Yard, Japp, também faz sua participação em algumas histórias. 

Desejei que Poirot estivesse presente naquele momento. Às vezes, tenho a impressão de que ele subestima minha capacidade. 

Contudo eu só gostei de pouquíssimos contos. Achei a resolução dos casos muito rápida, até mesmo para um gênio como Poirot. Em certos momentos tive a impressão de que o belga era um vidente, ao invés de um detetive, tão mirabolantes eram suas deduções

Acredito que o tamanho dos contos, tão curtos, tenha sido o principal responsável pelas histórias sem desenvolvimento, sem suspense e sem glamour, necessários para o desenlace dos cenários misteriosos que Poirot tem que averiguar. 

Nada contra Poirot, muito menos contra Agatha Christie, mas esse livro ficou aquém das capacidades da Rainha do Crime e de seu detetive. A escritora é conhecida por suas histórias com crimes considerados impossíveis de resolver, instigando o leitor a criar mil e uma teorias. No final, ela elucida o caso com suas reviravoltas excepcionais (e todas se encaixam perfeitamente bem!), nos deixando de boca aberta na maioria das vezes. Mas como? Por quê? Geeeenteeee! Hahahahaha! 


As várias encarnações do detetive Poirot que passaram pelas telas


Para quem é fã incondicional das obras de Agatha Christie e dos casos do detetive Hercule Poirot, com certeza vai achar os contos, no mínimo, interessantes, e irá se divertir bastante com o vaidoso detetive. Infelizmente, este livro não me encantou. Só achei elogiáveis os últimos contos. 

ponto alto da narrativa, e diria até engraçado, foi testemunhar Hastings se “contorcendo” a cada autoelogio promovido por Poirot e sua incapacidade de mostrar ao belga que ele possui “pequenas células cinzentas” tanto quanto ele. Em vão, é claro! Em contrapartida, presenciamos a tendência do Capitão a ser ludibriado por ruivas jovens e belas. Aiaiai, Hastings! É só ver um rostinho bonito que ele esquece tudo. Hahahaha! Mas, não se pode negar que o próprio detetive Hercule Poirot contribuiu com uma generosa pitada de humor por ser tão presunçoso. 


FICHA TÉCNICA 

Título: Poirot Investiga   
Título Original: Poirot Investigates   
Autor: Agatha Christie  
Ano: 1925 
Páginas: 240  
Editora: Circulo do Livro 
Gênero: Suspense Policial  
Tradutor: A.B. Pinheiro de Lemos  

AUTOR  

Agatha Mary Clarissa Christie ou como todos a conhecem mundialmente Agatha Christie nasceu em Torquay, Inglaterra, no dia 15 de setembro de 1890.  

Conhecida como a Rainha do Crime, Agatha Christie escreveu mais de 80 romances e coletâneas de contos, sem mencionar mais de uma dúzia de peças, incluindo A Ratoeira (The Mousetrap), peça que ficou mais tempo em cartaz na história do teatro.  

Agatha se destacou por suas histórias de suspense policial, mas seus romances possuem temas muito mais abrangentes. Talvez por isso, seja considerada uma das escritoras mais queridas de todos os tempos. 

Com tramas criativas e personagens fascinantes, foram realizadas inúmeras adaptações de seus livros para o cinema e a TV, principalmente, com dois de seus personagens mais emblemáticos: o detetive belga Hercule Poirot e a detetive amadora Miss Marple. Um verdadeiro tributo ao seu sucesso permanente. 

Agatha é a romancista mais vendida e, portanto, a mais bem-sucedida da literatura popular mundial. Suas obras juntas venderam durante os séculos XX e XXI mais de quatro bilhões de cópias, ficando atrás apenas de Shakespeare (seu conterrâneo) e da Bíblia. Durante sua carreira ela utilizou o pseudônimo de Mary Westmacott em alguns livros. 

Em 1971 foi condecorada pela Rainha Elizabeth II, da Inglaterra, como “Dame” (Dama) do Império Britânico; título equivalente ao “Sir”, concedido aos homens. No dia 12 de janeiro de 1976, na cidade de Wallingford, também na Inglaterra, Agatha Christie morreu aos 85 anos, de causas naturais. 



Até a próxima! 

Beijos mil! :-) 
Criss 



sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Encarando As “Sombras Da Noite” [os contos]

por em novembro 29, 2019
Olá, Perdidos! Sombras da Noite, de Stephen King é um livro de contos sensacional. E quando se fala em King, ele consegue algo impressionante: utilizar poucas palavras para fazer com que seu leitor se esconda debaixo da cama, grite de terror, sinta nojo, fique com ódio e, até mesmo, chegue às lágrimas, não de medo, mas por estar lendo algo emocionante. Do nonsense ao macabro, passando pelo trash com salpicos de realidade, os contos giram em torno do gênero do terror. Se preparem que o post é longo! 




Lançado originalmente em 1978, Sombras da Noite é o primeiro livro de contos do autor. E mesmo gostando de Stephen King, nem sempre gostamos de tudo que ele escreve. Agora, imagina um livro com 20 contos? Óbvio que não vamos gostar de todas as histórias. Até porque um conto é diferente de um romance. As histórias de terror que King escreve se passam rapidamente e ele tem que provocar no leitor o sentimento de medo. E ainda tem o detalhe de que os gostos são complexos. O que é bom para um é ruim para outro. 

Leia também: Cuidado Com As "Sombras Da Noite"! 

Os Contos 

1- Jerusalem’s Lot 

O conto gira em torno do último dos herdeiros de uma propriedade onde se passa a maior parte da história e que parece ser assombrada. Há barulhos nos cômodos como se algo quisesse sair da parede. Tudo piora quando descobrem uma cidade abandonada chamada Jerusalem’s Lot. Qual seria a história macabra por trás desta estranha cidade? 

Há muita tensão e fatos sobrenaturais ou tudo não passa de loucura hereditária? 

Escrito através de cartas e entradas de diários como em Drácula (de Bram Stoker), a história tem como referência o romance Salem (Salem’s Lot, de 1975), de King. 

Adoro essa temática sobrenatural e misteriosa. 

A dedução é óbvia: Jerusalem’s Lot é uma cidade que as pessoas evitam. Mas por quê? Tenho uma vaga noção, mas antes mesmo de chegar a dar meu palpite devo prosseguir com o relato do desfecho perturbador de nossa visita. 

2- Último Turno 

Quem não quer uma grana extra? Foi exatamente isso que alguns trabalhadores de uma fábrica pensaram ao abandonar as festividades do 4 de julho (feriado americano) para limpar o porão do local onde trabalham e que está infestado de tralhas e, aparentemente, ratos... muitos ratos. 

O trabalho era exaustivo, mas dava para concluir, até que encontraram um alçapão. O que estaria escondido lá embaixo? O que eles viram eram mutações sobrenaturais ou delírio devido aos fungos e suas propriedades psicoativas? Leia e chegue a uma conclusão. 

No conto temos uma amostra da desigualdade tirânica entre patrão abusivo e funcionário e o que isso acabou acarretando. 

E os ratos – ratos imensos que faziam com que os do terceiro andar parecessem anões. Deus sabia o que eles andavam comendo lá embaixo. 

3- Ondas Noturnas 

Um grupo de jovens se reúne para curtir um dia na praia. Tudo seria lindo e maravilhoso se não fosse a morte de um homem. Mas, nada é o que parece ser. Na verdade o conto é sobre a pandemia causada pelo vírus Captain Trips que assola o mundo. Esse vírus aparece no livro A Dança da Morte (The Stand, de 1978). 

Também amávamos a praia, acho – pois não tínhamos acabado de oferecer-lhe uma espécie de sacrifício?  

4- Eu Sou O Portal 

Viajar ao espaço é o próximo passo da evolução do ser humano. E para Arthur isso já é uma realidade. Arthur é um astronauta que viajou até Vênus a bordo da Saturno 16, mas que ao retornar da missão descobre estar infectado e que se tornou uma espécie de portal para alienígenas. 

Será alucinação? Estresse pós-traumático causado pelos horrores de uma aterrissagem malsucedida que matou seu amigo Cory e que quase o matou? Ou será que Vênus não era tão desabitado assim? 

A narrativa não possui data, mas no conto os seres humanos conseguiram circundar a Lua em 1968 e pisar em Marte 11 anos depois, em 1979. 

Eu Sou O Portal mistura terror com ficção científica, que eu adoro, além daquele medo de invasores de corpos alienígenas. 

E Vênus era isso aí. Nada além de nada – a não ser o fato de que me deu medo. Foi como circundar uma casa mal-assombrada no meio do espaço. 




5- A Máquina De Passar Roupa 

Passar roupa na lavanderia nunca foi tão perigoso. Mortes estranhas começam a acontecer na Lavanderia Blue Ribbon e todas estão associadas a uma barulhenta passadeira e dobradeira industrial. E em se tratando de um conto de King objetos inanimados ganhando vida é com ele mesmo. É claro que a máquina de passar roupa despertou para a vida e adquiriu um apetite excepcional por carne humana. 

Fatalidades marcadas pelo ocultismo ou apenas tristes coincidências? Você decide. 

– Talvez. O problema é o seguinte: sabemos que alguma coisa está dentro da máquina. Não sabemos o quê – Hunton sentiu frio, como se tivesse sido tocado por um dedo descarnado. 

6- O Bicho-Papão 

No divã de um analista, um homem desabafa e conta como seus três filhos foram assassinados pelo bicho-papão. O pai das crianças não é nem um pouco carismático, mas verossímil e seu relato causa angústia e repulsa. King conseguiu criar em poucas linhas um personagem asqueroso, machista e preconceituoso. Destaque para a cena final que é fantástica! 

O conto é um terror no estilo antigo, infligindo medo sem a necessidade de nadar em sangue e um tributo a uma das mais antigas lendas do terror, a lenda do bicho-papão ou boogeyman. Na história, o bicho-papão não tem forma, apenas sua silhueta é o suficiente para aterrorizar. 

Talvez esse homem use o analista para expiar seus pecados, como um pecador num confessionário. 

Conto fantástico por ser um terror à moda antiga e com um personagem que se esconde no quarto das crianças que são malcriadas. 

– A porta do armário estava aberta. Não muito. Só uma fresta. Mas eu sei que tinha deixado fechada, entende? Há sacos de lixo lá dentro. Se uma criança brinca com um desses sacos, já era. Asfixia. Sabia disso?  

7- Massa Cinzenta 

No bar Henry’s Nite-Owl há muita conversa jogada fora, bêbados, brigas e amigos que frequentam com certa assiduidade o local. Um bar normal como tantos outros. Tudo transcorria como de costume até que Timmy, filho de Richie Grenadine, um frequentador beberrão, aparece e conta que seu pai está muito estranho e que ele está com medo de voltar para casa. 

Ele revelou que seu pai ingeriu uma cerveja estragada, ou melhor, contaminada com alguma coisa e começou a se transformar. 

Um conto curto, narrado pelo dono do bar. Um terror pra lá de nonsense, que provoca muita ojeriza. 

Esse seu terror nonsense lembra um episódio de Arquivo X. 

O garoto disse que devia ter sido a cerveja – você sabe como, de vez em quando, aparece uma lata estragada. Choca ou cheirando mal, ou verde como as manchas de urina nas cuecas de um irlandês. 

8- Campo De Batalha 

Imagina chegar em casa e ter um embrulho esperando por você na portaria. Nada de anormal, se você não fosse um assassino profissional. Principalmente quando a caixa vem da fábrica de uma de suas vítimas. Após toda cautela, John Renshaw abre o presente e descobre que são meros soldadinhos de brinquedo, altamente equipados. Mas, a duras penas, compreende que não são brinquedos comuns. 

Destoando um pouco do resto do livro, esse conto é mais divertido do que propriamente apavorante. Qualquer lembrança de Toy Story é mera discrepância. 

John Renshaw era um falcão humano, construído tanto pela genética quanto pelo ambiente para fazer duas coisas de maneira soberba: matar e sobreviver. 

9- Caminhões 

Numa parada de caminhoneiros, cinco pessoas são encurraladas e impedidas de sair por caminhões. Aos poucos, as pessoas ficam sem comunicações e sem energia elétrica. Totalmente confinadas, não há como escapar. Será que essa revolução dos transportes aconteceu no mundo inteiro? A humanidade tornou-se escrava das máquinas? 

Mais um conto de King onde objetos inanimados ganham vida. 

Talvez o medo de perder o controle das coisas ou ser superado pela tecnologia seja o tema principal da história. Um conto atemporal em que medos e fobias não são associados com uma época específica, nem com uma classe social em especial, aqui somos todos nivelados pelo mesmo sentimento, o medo. 

Lá fora estavam sete ou oito caminhões, os motores em baixa rotação, roncando preguiçosos como enormes gatos ronronando. 




10- Às Vezes Eles Voltam 

Nem sempre as pessoas ficam esquecidas no passado. Às vezes elas aparecem como fantasmas e querem algo de você. E foi isso que aconteceu com o professor Jim Norman quando ministrava a matéria para alunos especiais “Vivendo com a Literatura”. 

Jim sofreu um trauma na infância por ter presenciado a morte de seu irmão Wayne e nunca se recuperou. Anos depois ele vê os assassinos de seu irmão ressurgirem como seus alunos. Mas como poderiam ser os mesmos, pois vários anos haviam se passado e eles estão exatamente iguais? Não envelheceram um dia! Uma coisa é certa, eles prometeram pegar Jim e parece que eles voltaram para cumprir sua promessa. 

Um dos meus preferidos pelo plot twist. 

– Se você me reprovar a gente te pega, seu filho-da-puta! – Osway gritou pelo corredor mal iluminado do terceiro andar. – Está me ouvindo? 

11- Primavera Vermelha 

A cada dez anos, a Primavera Vermelha surge e uma série de assassinatos misteriosos ocorre em meio ao nevoeiro denso que se forma. Vários casos sem solução ocorrem no campus de uma faculdade e parece que o criminoso voltou a atacar. 

Um conto curto com um final muito legal. 

Era a primavera vermelha, e ninguém andou sozinho pelo campus metade acadêmico e metade fantástico naquela noite. O nevoeiro voltara, com cheiro de mar, silencioso e profundo. 

12- O Ressalto 

Fobia, adultério e desafio constituem este conto. Um poderoso endinheirado chamado Cressner descobre que sua mulher o trai com Stan Norris, um tenista profissional, e o chama a sua cobertura no 43º andar para lhe propor um desafio: dar a volta no prédio percorrendo seu ressalto, ou seja, sua saliência. Se ele conseguir receberá vinte mil dólares pela façanha e ainda poderá ficar com sua mulher. Ele vai aceitar o desafio? A palavra de Cressner será mantida? Seja como for, o final é fantástico! 

Não há forças demoníacas ou paranormais ou mesmo fantasmas. Trata-se de terror psicológico e pura vingança. 

Amei O Ressalto pelo frio (e bota frio nisso) na barriga provocado pela altura e aqueles meros 12cm. 

Olhei para o ressalto. Parecia pequeno. Eu nunca vira 12 centímetros tão parecidos com 5. Pelo menos o prédio era razoavelmente novo; não haveria de desmoronar sob o meu peso. Assim eu esperava. 

13- O Homem Do Cortador De Grama 

Para manter um jardim de dar inveja nos outros é preciso cortar sua grama periodicamente. E após um acidente envolvendo o cortador de grama e o gato do vizinho, Harold Parkette fica desgostoso e abandona seu amado jardim. 

Quando a situação alcança um nível insustentável, ele resolve chamar um especialista para aparar a grama. O funcionário da empresa que ele contrata é muito estranho e ele percebe que o homem quer mais do que cortar simplesmente sua grama alta. 

Para quem gosta do bizarro, sobrenatural e trash é um conto perfeito. 

– Quanto mais alto, melhor. Solo saudável, é isso o que você tem, por Circe. É o que eu sempre digo. 

14- Ex-Fumantes Ltda. 

Quem fuma sabe que parar de fumar é muito difícil. E uma ajuda extra é sempre bem-vinda. Quando Dick Morrison encontrou um amigo que abandonou o vício com ajuda de uma organização especializada ele achou que valia a pena tentar. E foi o que fez.  

Qual seria o método infalível que a organização utiliza? Morrison iria descobrir. O final do conto é espetacular! 

Uma maravilha que mostra que o banal pode ser arrepiante. 

– Não, Sr. Morrison, é o senhor que não está entendendo. Não tem escolha. Quando lhe disse que o tratamento já tinha começado, estava falando a pura verdade. Achei que já tinha percebido isso, a esta altura. 

15- Eu Sei Do Que Você Precisa 

Consegue imaginar uma pessoa saber tudo que você realmente precisa? Fazendo você se sentir especial, amado e desejado? Só em contos de fada. Talvez não! 

Neste conto um rapaz sem graça, baixo e magrelo chamado Edward Jackson sabe exatamente TUDO que seu crush precisa. Em cada passo e a cada suspiro lá está ele. Cada mínimo detalhe ele conhece. Cada desejo imaginado, ele realiza. É muito amor! Mas parece que algo mais está acontecendo. 

Ocultismo ou simplesmente amor doentio? Ou um pouco de cada? 

– Levante-se – ele disse, ternamente. – Eu sei do que você precisa. Levante-se, Beth. 

16- As Crianças Do Milharal 

O que pode acontecer quando juntamos um casal que está perdido e com problemas no relacionamento, uma cidade abandonada, crianças que surgem do nada e um milharal muito bem cuidado? Ora... Tudo! Principalmente se for engendrado por King. 

Após atropelarem uma criança, o casal Burt e Vicky resolve ir para a cidade mais próxima a fim de procurar as autoridades. Mas o que encontram é uma cidade deserta e marcada pelo tempo e que parece não estar tão desabitada assim. E agora? 

Tensão e suspense marcam essa história com crianças assustadoras e um milharal bem cuidado. 

Ela esticou a cabeça, e seus olhos arregalados se fixaram no milharal. Ele se estendia até onde os olhos podiam ver, ondulando de acordo com os declives e elevações do terreno. 




17- O Último Degrau Da Escada 

Um incidente no celeiro mostra a relação de confiança, carinho e amizade entre uma garotinha e seu irmão mais velho. Contudo o tempo passa e altera essa relação tão bonita.  Eles crescem, a união entre os dois se desfaz, a vida deles toma rumos diferentes, se afastam, e perdem, praticamente, o contato um com o outro, embora o amor permaneça inalterado. 

Dando total prioridade a sua carreira, o rapaz não reconhece os pedidos de ajuda de sua irmã, até ser tarde demais. Impossível não verter uma lágrima. 

Um conto extremamente realista que fala do abandono e do perigo silencioso que é o suicídio. Uma história que faz a gente pensar que o terror é conhecido e pode alcançar qualquer um. King se superando! 

– Eu sabia que você devia estar fazendo alguma coisa para dar um jeito – ela disse. – Você é meu irmão mais velho. Eu sabia que você ia tomar conta de mim. 

18- O Homem Que Adorava Flores 

O amor está no ar! Um homem apaixonado compra flores para sua amada e vai todo serelepe ao seu encontro. As pessoas pelas quais ele passa na rua se impressionam com a figura e são tomadas pelo romantismo. Mas nem tudo é o que parece ser. 

Se prestar atenção, vai perceber um detalhe que King deixa “escapar”. 

Era sempre uma surpresa vê-la pela primeira vez, era sempre um choque delicioso – ela parecia tão jovem. 

19- A Saideira 

Jerusalem’s Lot é realmente uma cidade diferente. E ela está de volta neste conto. 

Numa noite de tempestade, com muita neve e frio, uma família se perde e seu carro quebra justamente em Jerusalem’s Lot. Deixando mulher e filha no carro aquecido, Gerard Lumley sai em busca de ajuda. Ao chegar no Tookey´s Bar, na parte norte de Falmouth, Lumley conta sua história e os locais tentam ajudá-lo a resgatar sua família, na medida do possível. Mas o que tem essa cidade de tão apavorante? 

A história também tem relação com o romance Salem (Salem’s Lot). 

Esse conto é ótimo por mostrar o porquê de Jerusalem’s Lot ser tão assustadora. 

– Que cidade é essa, Jerusalem’s Lot? – ele perguntou. – Por que a estrada estava obstruída? E não havia luzes acesas em parte alguma? 



20- A Mulher No Quarto 

São os últimos momentos de vida da mãe de Johnny que está definhando em uma cama de hospital sofrendo com câncer terminal. Um dilema se abate sobre o rapaz: assistir o sofrimento de sua mãe ou tomar uma atitude bastante controversa? 

Um conto sobre o amor de um filho por sua mãe à beira da morte. Por outro lado, pode se tratar de um conto sobre a tênue linha entre eutanásia e assassinato (matricídio). 

– Oh. Está bem, então. Acho que estou chorando. Não queria chorar na sua frente. Queria ficar livre disto. Faria qualquer coisa para ficar livre disto. 


Preparado para encarar as Sombras da Noite

Para saber mais sobre o livro, clique aqui


AUTOR 

Stephen Edwin King ou Stephen King, como é mais conhecido, é um autor norte-americano, e nasceu em 21 de setembro de 1947, em Portland, Maine. Cresceu lendo quadrinhos de terror e suspense, o que estimulou seu amor pelo gênero, tornando-o um dos mais notáveis escritores de sua geração de contos e romances de horror fantástico e ficção

Em 1960, Stephen King submeteu o seu primeiro manuscrito para publicação, mas foi rejeitado, mais tarde publicou o seu primeiro conto, In a Half-World of Terror, num fanzine de terror. 

Um de seus primeiros romances foi "Carrie". Ele recebeu US$2.5 mil adiantados, não era muito para um romance, mesmo naqueles tempos, mas os direitos autorais fizeram com que ele recebesse US$200 mil posteriormente. Ele também recebeu vários prêmios em sua carreira

Ele é conhecido como o Rei do Terror e seus livros já venderam quase 400 milhões de cópias, com publicações em mais de 40 países sendo um dos autores mais traduzidos no mundo. E muitas de suas obras foram adaptadas para o cinema. Ele também escreve sob o pseudônimo Richard Bachman




Até a próxima! 
Beijos mil! :-) 


Criss 




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